{"id":86,"date":"2023-04-11T13:21:36","date_gmt":"2023-04-11T13:21:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cruzdopedro.com.br\/?page_id=86"},"modified":"2023-06-02T16:32:09","modified_gmt":"2023-06-02T16:32:09","slug":"historia","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.cruzdopedro.com.br\/index.php\/historia\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-193 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.cruzdopedro.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/logo_festa-300x112.png\" alt=\"\" width=\"434\" height=\"162\" srcset=\"https:\/\/www.cruzdopedro.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/logo_festa-300x112.png 300w, https:\/\/www.cruzdopedro.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/logo_festa.png 563w\" sizes=\"auto, (max-width: 434px) 100vw, 434px\" \/><\/p>\n<p>Foi uma tarde de 29 de junho de 1889, que apesar de ensolarada, deixava vazar um vento frio e inc\u00f4modo.<\/p>\n<p>Pela estradela da <strong>Fazenda Boa Vista<\/strong> circulava um carro de boi cantando.<\/p>\n<p>A frente, como candeeiro, o menino <strong>Pedro<\/strong>, filho da vi\u00fava <strong>Const\u00e2ncia<\/strong>, conduzia os bois com alegria e maestria, divertindo-se com as travessuras de seu cachorrinho, insepar\u00e1vel acompanhante.<\/p>\n<p>No carro, sentado sobre a carga, vinha <strong>Teodoro<\/strong>, o carreiro, homem insens\u00edvel \u00e0s belezas da estrada, ruminando constantemente o que tinha de mais vis\u00edvel: mau humor.<\/p>\n<p>Num repente, dando falta do picu\u00e1 com seus pertences, parou o carro, saltou e partiu em dire\u00e7\u00e3o a <strong>Pedro<\/strong>, acusando-o de roubo!<\/p>\n<p>Surpreso, indefeso, com os olhinhos arregalados, o pequeno afirmou que n\u00e3o roubou e nem mesmo sabia.<\/p>\n<p>Desafiado, possesso e incontrol\u00e1vel, o carreiro avan\u00e7ou sobre o garoto e espancou-o at\u00e9 a morte.<\/p>\n<p>Ciente da barbaridade cometida, abusou do sadismo, pendurando o fr\u00e1gil corpinho com um cip\u00f3, \u00e0 beira da estrada, num galho qualquer desde que simulasse um suic\u00eddio.<\/p>\n<p>Tocou os bois seguindo viagem e, indiferente ao fato, nem notava que as rodas n\u00e3o mais cantavam.<\/p>\n<p><strong>Const\u00e2ncia<\/strong> preocupava-se pois a lua j\u00e1 havia surgido e seu filho ainda n\u00e3o chegara.<\/p>\n<p>Angustiada, meteu-se pela noite por\u00e9m as trevas n\u00e3o traziam nenhuma informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Caminhando tresloucada, assustou-se com algo que puxava a barra de sua larga saia: voltou-se e reconheceu o c\u00e3ozinho que tentava arrasta-la insistindo para que <strong>Const\u00e2ncia<\/strong> mudasse de dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ela deixou-se levar pelo animalzinho que tudo assistira e erguendo a fronte, deparou com o que nunca imaginava ver.<\/p>\n<p>Dependurado, sem vida, alumiado por uma r\u00e9stia de luar l\u00e1 estava seu filho.<\/p>\n<p>Estremeceu, vacilou, lutou para suportal a carga de dor que s\u00f3 uma m\u00e3e escolhida a suportar.<\/p>\n<p>Reuniu for\u00e7as, desceu-o, trouxe-o junto ao peito e convicta entre solu\u00e7\u00f5s, jurou que as m\u00e3os assassinas haveriam de secar!<\/p>\n<p>Ali fincaram uma cruz, a <strong>&#8220;Cruz do Pedro&#8221;<\/strong>.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi preciso mais do que uma fase da lua para que as m\u00e3os do carreiro Teodoro mirrassem at\u00e9 secarem por completo&#8230;<\/p>\n<p>Passava-se o tempo mas o fato parecia sempre recente.<\/p>\n<p>As visitas ao local eram constantes e fervorosas.<\/p>\n<p>As gra\u00e7as alcan\u00e7adas ali passavam a fazer parte daquelas que buscacam o al\u00edvio que a f\u00e9 indiscutivelmente traz&#8230;<\/p>\n<p>No lugar da cruz, foi erguida a capela.<\/p>\n<p>Avolumou-se de tal modo, que no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, o dia 29 de Junho passava a ser festivo para os dois Pedros: o ap\u00f3stolo de Cristo e o filho de Const\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Na madrugada de 28 para 29 de Junho de 1938, Antonio Rodrigues Nunes, morador e devoto, organizava o ter\u00e7o e a prociss\u00e3o que at\u00e9 os dias de hoje reverenciam, sa\u00fadam e homenageiam o pequeno m\u00e1rtir da Fazenda Boa Vista.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>&#8220;Pesquisa, elabora\u00e7\u00e3o de texto e ilustra\u00e7\u00e3o feitas pelo escritor e poeta Adalberto Ant\u00f4nio Erbetta.&#8221;<\/em><\/p>\n<h2>Agradecimentos<\/h2>\n<p>Em mem\u00f3ria de <strong>Antonietta de Aguiar Junqueira (Dona Netinha)<\/strong>, que n\u00e3o s\u00f3 abriu as porteiras da <strong>Fazenda Boa Vista<\/strong>, como deu inteiro apoio \u00e0 elucida\u00e7\u00e3o dos fatos, atestando a sensibilidade, adminira\u00e7\u00e3o e respeito \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es de f\u00e9 do nosso povo. Dos saudosos; <strong>Jos\u00e9 Luiz Nunes Filho (Zezinho), Dona Alice Rodrigues Nunes e Jos\u00e9 Carlos Gon\u00e7alves (Z\u00e9 Goleiro)<\/strong>. Agradecimentos a: <strong>Luiz Carlos Selli<\/strong>, gerente da Fazenda Boa Vista, moradores e funcion\u00e1rios que permitiram, com depoimentos sinceros a proximidade, da veracidade e autenticidade dos fatos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi uma tarde de 29 de junho de 1889, que apesar de ensolarada, deixava vazar um vento frio e inc\u00f4modo. Pela estradela da Fazenda Boa Vista circulava um carro de boi cantando. A frente, como candeeiro, o menino Pedro, filho da vi\u00fava Const\u00e2ncia, conduzia os bois com alegria e maestria, divertindo-se com as travessuras de seu cachorrinho, insepar\u00e1vel acompanhante. No carro, sentado sobre a carga, vinha Teodoro, o carreiro, homem insens\u00edvel \u00e0s belezas da estrada, ruminando constantemente o que tinha de mais vis\u00edvel: mau humor. 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